Poeta com grande reconhecimento nacional e internacional, Albano Martins foi docente do ensino secundário e do ensino superior, e realizou também exímias traduções de poesia grega, italiana, sul-americana e espanhola.
Licenciado em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa, Albano Martins começou por se destacar como um dos colaboradores assíduos da revista Árvore. Iniciou o seu percurso literário com a publicação, em 1950, de Secura Verde, volume que, desde logo, anuncia as características mais marcantes da sua poética: a atenção conferida à palavra, à linguagem na sua opacidade, à busca de uma expressão depurada e não discursiva, encontrando na brevidade e num certo minimalismo nominal uma forma original, através da qual as palavras evocam uma essência perdida, anterior à erosão do tempo e do uso corrente. Deste modo, para Fernando Guimarães, na poesia de Albano Martins, “o que pode haver de centrífugo na imagem – o seu alargamento significativo, as suas possibilidades associativas, a sua potencialidade metafórica – é de imediato equilibrado pelo pendor substantivo de uma poesia que aposta na busca da concentração em que, muitas vezes, próprio dinamismo verbal acaba por ser elidido” (Fernando Guimarães, A Poesia Portuguesa Contemporânea e o Fim da Modernidade, Lisboa, Caminho, 1989, p. 65-66). Esses são alguns dos traços que permanecem em obras poéticas como Coração de Bússola (1967), Em Tempo e Memória (1974), Paralelo ao Vento (1979), Inconcretos Domínios (1980), A Margem do Azul (1982), Os Remos Escaldantes (1983), Sob os Limos (1986), Poemas do Retorno (1987), A Voz do Chorinho ou os Apelos da Memória (1987), Vertical o Desejo (1988), Rodomel Rododendro (1989), Vocação do Silêncio. Poesia 1950-1985 (1990), Os Patamares da Memória (1990), Entre a Cicuta e o Mosto (1992), Uma Colina para os Lábios (1993), Com as Flores do Salgueiro (1995), O Mesmo Nome (1996), A Voz do Olhar (1998), Escrito a Vermelho (1999), Assim São as Algas – Poesia 1950-2000 (2000), Castália e Outros Poemas (2001) e Palinódias, palimpsestos (2006).

Poemas seus estão traduzidos em espanhol, francês, inglês, italiano, chinês (cantonense) e japonês. A sua obra tem merecido a atenção de alguns dos mais importantes críticos e ensaístas portugueses contemporâneos, nomeadamente António Cândido Franco, António Ramos Rosa, Eduardo Lourenço, Eduardo Prado Coelho, Fernando Guimarães, Fernando J. B. Martinho, Fernando Pinto do Amaral, Francisco Soares, Joana Matos Frias, Luís Adriano Carlos, Manuel Frias Martins, Maria da Glória Padrão, Maria Lúcia Lepecki, Ramiro Teixeira, Salvato Trigo, Serafim Ferreira, Vera Vouga, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, etc., de alguns brasileiros, como Álvaro Cardoso Gomes, António Roberval Miketen, Carlos Vechi, Franca Berquó, Gumercinda Gonda, Jorge Valentim, Leodegário A. de Azevedo Filho, Massaud Moisés, Nelly Novaes Coelho e Raquel Marques Villardi, e do espanhol Perfecto Cuadrado.

Tem colaboração, em prosa e verso, dispersa por numerosos jornais e revistas, do país e do estrangeiro. Entre os jornais, salienta-se ABC ( Madrid ), As Artes entre as Letras, O Comércio do Porto, O Diário, Diário de Coimbra, Diário de Lisboa, Diário do Norte, Diário de Notícias, Diário Popular, O Distrito de Portalegre, Évora & o Mais, Jornal do Fundão, JL - Jornal de Letras Artes e Ideias, Jornal de Notícias, Jornal Notícias de Gaia, Letras & Letras, Matosinhos Hoje, O Primeiro de Janeiro, A Reconquista, Sempre; e, entre as revistas, Agália (Orense), Árvore, Bibliotheca Portucalensis, Cadernos de Literatura, Cadernos de Serrúbia, Cadernos Vianenses, Calibán (Brasil), Canal, Canente (Málaga), A Cidade, Colóquio/Letras, La Cuerda del Arco (Sevilla), O Escritor, Espacio/Espaço Escrito (Badajoz), Hífen, A Ideia, Luzes de Galiza (A Corunha), Magma ( Lajes do Pico, Açores ), Mealibra, Nordés (Vigo), Nova Renascença, Orion (S.Paulo, Brasil), Palavra em Mutação, Palimpsesto (Carmona, Sevilla), Poesia Sempre (Rio de Janeiro), Relâmpago, Revista Brasileira de Língua e Literatura (Rio de Janeiro), Seara Nova, Serta ( Madrid ), Sílex, Sirgo, Sol XXI, Sul (Brasil).

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