Poeta, cronista, autor de literatura infanto-juvenil, Manuel António Pina foi galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da lusofonia, em 2011.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Manuel António Pina foi jornalista e mantém até à atualidade, como cronista, a sua colaboração com o Jornal de Notícias. Distinguiu-se no domínio da literatura infanto-juvenil nos géneros narrativo, lírico e dramático. Como poeta, afirmou-se como uma das mais originais vozes poéticas na expressão pós-pessoana da fragmentação do eu, manifestando, em obras como Ainda Não É o Fim Nem O Princípio do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde, Lisboa (1974), Aquele Que Quer Morrer (1978), Nenhum sítio (1984), O caminho de casa (1989), Um sítio onde pousar a cabeça (1991), Algo Parecido Com Isto, Da Mesma Substância. Poesia Reunida 1974/1992 (1992), Farewell happy fields (1993), Os livros (2003) ou Poesia, saudade da prosa. Uma antologia pessoal (2011) uma tendência para a exploração das possibilidades filosóficas do poema, transportando a palavra poética “quer para a investigação do processo de conhecimento quer para a investigação do processo de existência literária” (cf. Martins, Manuel Frias – Sombras e Transparências da Literatura, Lisboa, INCM, 1983, p. 72). Admite uma grande consanguinidade com outros poetas portugueses contemporâneos, como Alexandre O’Neil, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena e sobretudo com Ruy Belo. Na sua escrita poética avultam como marcas relevantes, por um lado, a intertextualidade estabelecida, entre outros, com os textos bíblicos e, por outro, a busca de um equilíbrio entre ritmo e sentido, uma vez que, para o autor, “ é a através do ritmo que a poesia toda alguma coisa essencial da própria existência humana da relação do homem consigo mesmo e com a sua existência no mundo”.

A sua obra encontra-se traduzida em diversas línguas e foi galardoada com diversos prémios, de que se destaca: em 1978, o Prémio de Poesia da Casa da Imprensa, para Aquele que quer morrer; em 1987, o Prémio Gulbenkian 1986/1987, para O Inventão; em 1988, o Prémio do Centro Português para o Teatro para a Infância e Juventude (CPTIJ), pelo conjunto da obra infanto-juvenil; em 1993, o Prémio Nacional de Crónica Press Club/ Clube de Jornalistas; em 2002, o Prémio da Crítica, da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários, para Atropelamento e fuga; em 2004, o Prémio de Crónica da Casa da Imprensa; em 2004, o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava, para Os livros; em 2005, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT, também para Os Livros; e, em 2011, o Prémio Camões.

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