Romancista, ensaísta, crítico literário e poeta.

Álvaro Manuel Machado nasceu no Porto e conviveu na juventude com os escritores reunidos em torno da revista Bandarra, como António Rebordão Navarro ou Egito Gonçalves. Viveu exilado em Paris entre 1967 e 1976, diplomando-se na École des Hautes Études com uma tese sobre as influências da literatura europeia sobre a literatura latino-americana contemporânea. Entre 1974 e 1976, foi leitor do Instituto de Cultura Portuguesa na universidade de Rouen e professor na Sorbonne, tendo ainda trabalhado como consultor literário de algumas casas editoras francesas e colaborado em revistas literárias francesas, como Magazine Littéraire e La Quinzaine Littéraire. Regressado a Portugal em 1976, exerceu funções de docência na Faculdade de Letras de Lisboa, na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade Autónoma de Lisboa; colaborou em programas culturais da RTP; e publicou, na «Biblioteca breve», dois estudos, um sobre a Geração de 70 e outro sobre a Novelística Portuguesa Contemporânea, que firmaram o seu renome como investigador especializado na literatura dos séculos XIX e XX. Tendo criado, em 1976, a cadeira de Literatura Geral e Comparada na Faculdade de Letras de Lisboa, publicou obras pioneiras no domínio da teorização da literatura comparada e dos estudos comparativistas, apresentando com a sua tese de Doutoramento (cf. Les Romantismes au Portugal: Modèles Étrangers et Orientations Nationales, Paris, 1986), apresentada na Sorbonne, uma perspectiva inovadora sobre a dessincronia entre a influência de modelos estrangeiros e as manifestações dos vários romantismos em Portugal. Nos estudos sobre a ficção contemporânea, tem merecido especial atenção do autor a obra de Raul Brandão e de Agustina Bessa-Luís, ambas constituindo, segundo o ensaísta, etapas marcantes da novelística portuguesa contemporânea. Recebeu destes dois nomes uma herança estilística que o familiarizou com processos de desintegração diegética através da expressão dramática de um fluxo lírico íntimo e lúcido que, sem deixar de possuir referências na realidade histórica imediata, cristaliza imagens autobiográficas ou da existência no exílio, a que, associou uma cadência musical, visível tanto no plano da estruturação dos romances, como da própria frase, breve ou entrecortada por pausas, mas sempre rigorosamente ritmada. Este fragmentarismo formal alimenta-se dos remendos de memória de uma personagem que assume frequentemente o exílio como condição existencial, procurando o seu rosto nas imagens da infância, nos lugares da origem, nas cidades onde viveu, nos corpos que amou, em obras como Exílio (1978), A Arte da Fuga (1983), O Viandante (1996), o Complexo de Van Gogh (2001) ou A Mulher que se Imagina (2004).

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